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25/06/2009
Tecnologias Assistivas e Form de Profs em um AVA
Renata P. Rinaldi; Cléa Márcia R. Borges; Heliomar A. L. Santana; Maria José A. F. S. Campanholi
 
Introdução e desenvolvimento
O artigo apresenta dados e os principais resultados obtidos no “Curso de Tecnologias Assistivas: projetos e acessibilidade promovendo a inclusão de deficientes” no ambiente digital de aprendizagem TelEduc. O curso caracteriza-se como de extensão universitária a distância para a formação continuada de professores da rede pública de ensino. Tal iniciativa ocorreu em parceria entre a FCT/UNESP e a Secretaria de Educação Especial (SEESP/MEC) no âmbito do Programa de Formação Continuada de Professores na Educação Especial, de acordo com o edital 2/junho 2007.
A equipe responsável pelo curso é formada por:
- 5 profissionais envolvidos na coordenação, supervisão de EAD e logística;
- 5 professores pesquisadores;
- 10 professores formadores;
- 25 professores tutores que atuam a distância;
- 17 professores tutores que atuam presencialmente.
Este curso aborda a temática de Tecnologias Assistivas (TA) para deficiência física e sensorial. É destinado especialmente a professores da rede pública de ensino com a principal finalidade de promover um atendimento educacional especializado e inclusivo às pessoas deficientes (PD). Tem como um de seus objetivos fornecer subsídios teóricos e práticos aos docentes, por meio dos recursos de Educação a Distância (EAD) mediada pela internet, para o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) que possibilitem ao professor trabalhar com PD. A proposta se desenvolveu em um curso de extensão universitária em um total de 120 horas, distribuídas em 4 módulos a saber: Educação a Distância (EAD), Tecnologias Assistivas (TA), Objetos de Aprendizagem (OA), Desenvolvimento de Projetos de Trabalho.
Participaram da primeira oferta aproximadamente 620 cursistas distribuídos em 23 turmas de diferentes cidades de 9 estados brasileiros: Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Cada turma foi formada com aproximadamente 25 cursistas, 1 tutor presencial, 1 tutor que atua a distância e um professor formador, responsável por duas turmas com esta configuração.
Assim, o foco deste texto volta-se à apresentação dos resultados e desafios enfrentados por duas das turmas deste curso, sob responsabilidade das autoras deste documento. O principal objetivo deste está na possibilidade de demonstrar um investimento no desenvolvimento profissional de todos os envolvidos e os impactos que iniciativas de formação continuada têm quando desenvolvidas por profissionais que acompanham as práticas dos professores em seu contexto de trabalho, seja no apoio presencial (tutor presencial) seja no apoio a distância (tutor e formador que atuam totalmente a distância).
Percebe-se que esse tipo de apoio e acompanhamento é de grande importância, pois encoraja os professores em serviço a ousarem em sala de aula usando as TIC e, especialmente, os recursos de TA quando têm alunos (PD) incluídos em suas salas de aula, pois ao fazerem uso de tais recursos e encontrarem dificuldades, os professores possuem profissionais especializados para buscar apoio imediato e refletir/depurar sobre os “erros” cometidos ou dificuldades enfrentadas e reorganizar suas práticas implementando-as constantemente até que o domínio de tais ferramentas passem a fazer parte de seu cotidiano como pode ser visto nos depoimentos a seguir.
(...) Com o curso tenho ousado mais em usar esse recurso, o computador, tão importante nos dias de hoje. No começo surgiram muitas dúvidas, aliás tenho algumas ainda, mas procuro conversar com minhas colegas e com a tutora presencial que sempre estão prontas a me ajudar (Profa. A.M.P., 16/06/2008).

Refletir sobre mudanças se faz necessário e aplicar em nosso cotidiano urgente. A aplicação das TAs em sala de aula reduz situações que geram ansiedades no educando e no professor. Consegui instalar no computador da escola que atendo o programa Lentropo e Dosvox e estou dando os primeiros passos para trabalhar com a minha aluna DV, é pouco em relação ao que temos pela frente, mas já é um início. Enfrentei dificuldade no uso das ferramentas do computador e às vezes precisei procurar ajuda com o tutor presencial e até mesmo a distância, sempre prontas a ajudar solucionar os problemas (Profa. MRGP, 04/07/2008).

De acordo com a Norma Internacional ISO 9999 (1998), Tecnologia Assistiva (TA), também conhecida como Ajudas Técnicas, é definida como:

[...] qualquer produto, instrumento, estratégia, serviço e prática, utilizado por pessoas com deficiência e pessoas idosas, especialmente produzido ou, geralmente, disponível para prevenir, compensar, aliviar ou neutralizar uma deficiência, incapacidade ou desvantagem e melhorar a autonomia e a qualidade de vida dos indivíduos (ISO 9999).

Essa expressão “TA” tem sido utilizada desde 1988, a partir da publicação oficial na legislação norte-americana. Embora, como bem relata S.R.C.L. (13/06/2008, fórum) desde os primórdios da humanidade o homem procurava meios que facilitasse sua adaptação quando lhe faltava alguma habilidade.
Dados históricos comprovam que as T.A. já era um habito comum na antiguidade, porque o homem já buscava alternativas para suas limitações, exemplo galhos de arvores como bengala, e para imobilizar fraturas. Hoje as TAs são comuns como: óculos, cadeira de rodas, etc.
Complementarmente, A.A.S.H. (12/06/2008, fórum) amplia nossa discussão compartilhando conosco a definição do conceito de TA a partir de um documento norte-americano
"Tecnologia Assistiva é um termo ainda novo, utilizado para identificar todo o arsenal de Recursos e Serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e conseqüentemente promover Vida Independente e Inclusão”. É também definida como "uma ampla gama de equipamentos, serviços, estratégias e práticas concebidas e aplicadas para minorar os problemas encontrados pelos indivíduos com deficiências" (Cook e Hussey in Assistive Technologies: Principles and Practices, Mosby - Year Book, Inc., 1995). O termo Assistive Technology, traduzido no Brasil como Tecnologia Assistiva, foi criado em 1988 como importante elemento jurídico dentro da legislação norte-americana conhecida como Public Law 100-407, que compõe, com outras leis, o ADA - American with Disabilities Act. Este conjunto de leis regula os direitos dos cidadãos com deficiência nos EUA, além de prover a base legal dos fundos públicos para compra dos recursos que estes necessitam (FONTE: http://www.bengalalegal.com/tecnol-a.php. Acessado em 12/06/2008).
No Brasil, entretanto, existem terminologias diferentes para tecnologia assistiva como: ajudas técnicas, tecnologias de apoio e adaptações. O Ministério da Ciência e Tecnologia no Brasil apresenta a seguinte definição sobre TA “[...] são tecnologias que reduzem ou eliminem as limitações decorrentes das deficiências físicas, mental, visual e/ou auditiva, a fim de colaborar para a inclusão social dos indivíduos portadores de deficiências e idosas” (BRASIL, 2005). A expressão “ajudas técnicas” aparece no Decreto n. 5.296 de 2 de dezembro de 2004, que regulamenta as leis n° 10.048/2000 e 10.098/2000 com a seguinte definição:

Art. 61. Para fins deste Decreto, consideram-se ajudas técnicas os produtos, instrumentos, equipamentos ou tecnologia adaptados ou especialmente projetados para melhorar a funcionalidade da pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida, favorecendo a autonomia pessoal, total ou assistida (BRASIL, 2004).

De modo geral, pode-se compreender que “T.A. deve ser então entendida como um auxílio que promoverá a ampliação de uma habilidade funcional deficitária ou possibilitará a realização da função desejada e que se encontra impedida por circunstância de deficiência ou pelo envelhecimento” conforme bem sistematiza a professora M.M.A.F. (15/06/2008, fórum). Ou seja, TA consistem desde artefatos simples, como uma colher adaptada ou um lápis com uma empunhadura mais grossa para facilitar a preensão, até sofisticados programas especiais de computador que visam à acessibilidade.
(...) Pensando nas escolas temos a ressaltar que estão ganhando rampa de acesso, banheiros adaptados, pranchas, cadeiras e carteiras especiais, engrossador de lápis, recursos didáticos ampliados tais como cadernos, apostilas, livros, teclado ampliado, lupa, etc... (N.M.M., 13/06/2008).

Hoje as tecnologias de informação e comunicação estão cada vez mais presentes na escola, e isso tem nos levado a pensar em como utilizar os recursos que temos disponíveis de forma a atender da melhor maneira possível nossos alunos com necessidades educacionais especiais. Mas sabe-se que ainda há muito o que fazer..., afinal existem inúmeros recurso ainda desconhecidos pelos professores. Penso que tal conhecimento deveria fazer parte da formação inicial do profissional da educação, pois só assim este terá condições de trabalhar com essas tecnologias facilitando a inclusão e a acessibilidade do aluno com necessidades educacionais especiais na sociedade (L.R.P.J., 14/06/2008, fórum).
Nota-se, com o avanço das TIC, que elas podem ser utilizadas como TA ou por meio de TA. Podem ser utilizadas como TA quando o próprio computador é a ajuda técnica para atingir um determinado objetivo. Por exemplo, o computador utilizado como caderno eletrônico para a PD que não consegue escrever no caderno comum. Por outro lado, as TIC são utilizadas por meio de TA, quando o objetivo almejado é a utilização do próprio computador, para o que são necessárias determinadas ajudas técnicas que permitam ou facilitem esta tarefa. Por exemplo, adaptações de teclado, de mouse, software especiais, etc.
Além de conhecer diversos recursos em que as TIC são utilizadas como e por meio de TA, os cursistas conheceram os Objetos de Aprendizagem (OA), como mais uma poderosa ferramenta para transformar o aprendizado em um grande prazer para os alunos PD ou não.
No processo de aprendizagem os alunos passam por várias etapas: relacionam novos conhecimentos com os que já sabiam, fazem e testam hipóteses, pensam onde aplicar o que estão aprendendo, expressam-se por meio de várias linguagens, aprendem novos métodos, novos conceitos, etc. A vantagem dos OA é que, quando bem escolhidos, podem ajudar em cada uma dessas fases, principalmente, àqueles alunos PD ou com dificuldades de aprendizagem. Existem OA muito bons para motivar ou contextualizar um novo assunto a ser tratado, para visualizar conceitos complexos, alguns que induzem o aluno a certos pensamentos... Quando os OA são interativos, consegue-se que o aluno tenha um papel bastante ativo, permitindo-lhe que se aproprie do objeto e o utilize inserindo em seus próprios trabalhos conseguindo-se desta maneira uma aprendizagem ainda mais significativa.
De acordo com o RIVED (Rede Interativa Virtual de Educação), um OA é qualquer recurso digital com conteúdo pedagógico que possa ser reutilizado para dar suporte ao aprendizado. Os OA produzidos pelo RIVED são atividades multimídia, interativas, na forma de animações e simulações permitindo ao usuário um aprendizado lúdico sobre conceitos escolares. Há neste site, um repositório de OA que abrangem os diferentes conteúdos dos mais diversos componentes curriculares em diferentes níveis de ensino.
Olá pessoal eu não conhecia esse Rived, é um programa cheio de recurso onde o professor pode explorar atividades com seu aluno, desenvolver em cima desse programa projetos relacionados a dificuldades que ele se encontra. Gostei muito... (A.M.R.O., 14/08/2008, fórum).
Dentre os OA deste repositório foi selecionado um para ser trabalhado no curso, denominado “Um dia de trabalho na fazenda” que aborda conteúdos matemáticos dos anos iniciais do ensino fundamental. As atividades deste OA podem provocar nos alunos a elaboração de estratégias para sua resolução de problemas, construindo assim o conceito numérico como ferramenta útil nas necessidades reais em seu cotidiano.
Aprendi muito ao longo desses três módulos e conhecer os OAs colocando as teorias aprendidas em prática, pela riqueza do seu conteúdo... Ao trabalhar o OA Fazenda com meus alunos percebi que a aprendizagem acontece de forma lúdica, com mais envolvimento e com maior significado. Me sinto mais segura quanto a busca de novos recursos para alunos com maior dificuldade no processo ensino aprendizagem. E nesse processo todo de realização das atividades, algumas colegas de escola estão também interessadas em conhecer esses objetos de aprendizagem (A.M.P.31/08/2008, memorial reflexivo).
Adicionalmente, foram criados para o curso dois OA denominados: “ScrapBook” em que os professores podem montar um álbum digital de fotografias com seus alunos para trabalhar temas como história de vida, procurando construir a auto-imagem e para melhorar a sua visão sobre si próprio e o relacionamento aluno-professor, tendo em vista a aprendizagem pelo contexto e significado; e “Alfabetização” que tem o intuito de propor atividades com diferentes níveis de complexidade no processo de aquisição da língua escrita para atender não apenas pessoas em fase de alfabetização, mas também a um público específico de pessoas que apresentem algum tipo de deficiência intelectual adquirida a partir da física.
Os 3 OAs apresentados são muito bons. O mais importante é que eles são baseados em teorias da Psicogênese da Língua Escrita, em PCN e pesquisa e análise de registros em documentos. A segurança no trabalho condiz com o conteúdo em sala de aula. São ricos em estimulas passando por níveis de aprendizagem, construindo e reconstruindo seu conhecimento de acordo com suas dificuldades, utilizando-se do raciocínio de forma de brincadeira. Sendo imprescindível que o professor trabalhe paralelamente a grafia e o valor sonoro para a construção das palavras, questionando o aluno para refletir em cima do que escreve. Através da brincadeira a criança reformula sua aprendizagem. O objetivo da atividade é gerar no aluno a compreensão da língua escrita, se apoiando no método freireano que auxiliará no avanço e estimulo do aluno. O OA de matemática é rico em estimulo, de forma lúdica, interligando as disciplinas, vida no campo, cidade, meio ambiente e alimentos. É a interação com o jogo questionando sempre a desafios, formalizando bem os conceitos e comparando com a realidade... O Scrapbook criou-se uma curiosidade e um interesse de construir um álbum tecnológico de forma a despertar a sensibilidade, imaginação e criatividade do seu íntimo, ampliando sua visão de mundo. É sim uma Arte – Educação, tornando-se mais sensível a mudanças de comportamento e equilíbrio. Desenvolvendo a observação investigativa a questionamentos reflexivos, direcionando mais ao foco. É a liberdade de expressão de forma reflexiva e honesta. Procurar sua identificação de forma a organizar cronologicamente os fatos vividos. Isso torna uma aprendizagem significativa e relevante a sua vida, respeitando a si e aos outros. Podemos explorar muito em cada um dos OAs.
Scrapbook = na historia, geografia e ciências; montagem da linha da vida cronológica da criançaØ (pesquisa, cidade, pais, datas, meses, anos mais marcantes, descendência, costumes, habitat, comidas e outros); Um dia de trabalho na fazenda = matemática e ciências; comparação do campo e cidade, quantidades,Ø preservação do meio ambiente, alimentos, animais, trabalho rural e urbano, memorização; Alfabetização = português e matemática; raciocínioØ lógico, planetas, viagem, letras do alfabeto, sílabas, bilhetes, noticias, acrósticos, listas, cartas, cruzadinhas, caça palavras, etc. (C.D.C. 15/08/2008, fórum).

[...] posso dizer que fiquei encantada com as possibilidades. O que é bastante interessante, é que softwares, há aos montes no mercado, porém, com esses nós temos a oportunidade de entender melhor como utilizá-lo, explorá-lo e conseqüentemente o nosso aluno sairá ganhando, pois poderemos trabalhar os conteúdos de forma contextualizada e o que é melhor: de forma prazerosa para o aluno, pois brincando o aluno tem oportunidade de aprender sem o medo de errar, uma vez que ele pode testar e tentar as alternativas quantas vezes for necessário (LCFM, 17/08/2008, fórum).
Além dos relatos positivos dos cursistas sobre os OA há, também, comentários que nos permitem avaliar estes objetos, re-análise e implementação para que problemas sejam corrigidos de modo a atender aos objetivos a que se destinam, por exemplo, como o comentários da professora P.R.B. (27/08/2008, relato portfólio):
- [OA] Alfabetização: Achei legal, mas falta mais estímulo sonoro, é necessário que o professor leia, vá dando mais dicas, muito repetitivo o texto nas atividades de separação das palavras (estrelinhas).
- O OA “Alfabetização” devia ser com historinhas escritas em letras maiúsculas, já que é dedicado a crianças em fase de alfabetização.
O curso e todo o seu conteúdo são avaliados periodicamente para que possamos, a partir dos feedbacks dos cursistas, analisar se os objetivos de cada um deles foram atingidos bem como re-encaminhar novas ações/intervenções para que as dificuldades sejam sempre superadas.
A partir dos depoimentos dos professores é possível observar, ainda que de modo preliminar, os desafios de um processo de formação continuada de professores em um ambiente virtual de aprendizagem, bem como processos de aprendizagem profissional da docência que nos emocionam e mostram o compromisso e a capacidade de superação dos professores. Os relatos que seguem evidenciam um pouco desse processo de crescimento.
Um pequeno texto reflexivo sobre as Tec. Assistivas. Pequeno porque a gama de materiais disponíveis, hoje no mercado é muito grande. Precisamos apenas aprender a lidar com eles e beneficiar os alunos com o uso. “De acordo com o que foi possível pensar, hoje temos vários materiais pedagógicos que podem nos ajudar com as pessoas com necessidades especiais a buscar contribuição em novas técnicas e materiais... Instrumentos como pranchas de apoios e sustentação dão segurança àqueles que só dependem de recursos práticos e outros tipos de dificuldades podem ser trabalhadas com estímulos visuais e de pintura, sons, o jogo e o estímulo do olfato e paladar. Podemos afirmar então que os cinco sentidos sempre são explorados com a criatividade das pessoas que se empenham em buscar cada vez mais desenvolver o ensino e as habilidades de PDs. Hoje podemos afirmar que temos nas nossas escolas e no computador muitos recursos que permitem o acesso e a permanência na escola, dos indivíduos com necessidades educacionais especiais. [No meu caso] aprendi mais sobre as diferentes deficiências e as TAs aplicadas a cada uma delas. As TAs que já possuímos [na escola] tento fazer com que meus alunos que possuem deficiências relacionada usem-nas, as que não tem e dá para improvisar [eu] improviso mas, as que ainda a minha escola não dispõe e não dá para improvisar alerto as autoridades competentes quanto a isso” (Prof. G.T, 07/07/2008).

23/08: "Bom, mais uma semana para trabalhar e avançar mais uma etapa do curso, porém me sinto totalmente perdida, de início não consegui entender nada, mas vamos enfrente e aos poucos vou entender... e conseguir realizar mais esta atividade...; 24/08: Nesta nova semana achei que não conseguiria realizar as atividades, pois não estava compreendendo. Mas, quando consegui de fato realizar todas as tarefas então surgiu o inexplicável para mim, realizei toda a agenda e ainda há pique para uma nova etapa. Uma batalha sem desafios que nos fazem testar não seria de fato uma batalha, e se há vitória no final, são os méritos por nosso esforço e não inteligência, tampouco anos e anos de experiência, se estas não forem aplicadas corretamente...; 31/08: Essa semana foi uma experiência e tanto com a aplicação dos OAs, de todas as semanas essa foi a mais empolgante pois pude por ver na prática tudo o que aprendi até o momento no curso, e ainda poder ver as crianças brincando de uma forma tão espontânea e saber que isso dá resultado, não está apenas no campo do pensamento, ou das idéias, mas no concreto, no real. Até eu "brinquei" de verdade explorando esses objetos de aprendizagem, pois é atraente e divertido. Estou empolgadíssima com o curso e já não vejo a hora de ter mais desafios ou experiências como esta. Tô aprendendo de verdade, de uma forma que acreditei que não ia aprender, pois pensava, como um curso a distância pode afetar alguma coisa em meu contexto, no meu cotidiano, se nem ao menos estou com pessoas interagindo, mas engano meu, pois essa interação é maior do que eu pensava, e estou de verdade aprendendo..." (Profa. P.R.R.S.S., diários de bordo).

Compreende-se que as TIC no contexto escolar facilitam o procedimento de ensino, mas não são condições sine qua non para a garantia do processo de ensino e aprendizagem de PD. Além disso, é necessária muita interação para conquistar bons resultados com o cursista, comprovando a hipótese de que é possível formar em serviço a distância.

Conclusão
Em um país com os recursos e dimensões continentais como o nosso é difícil imaginar que haja pessoas que ainda não tenham acesso ao computador. Nesta oferta do curso de TA encontramos essas realidades, quer seja nos rincões das regiões norte-nordeste ou mesmo no interior da região centro-oeste, sul e sudeste. Entretanto, a falta de acesso às TIC, a internet e a falta de conhecimento em como operar o computador não foram empecilhos para que os cursistas desistissem do curso. Pois, há municípios empenhados em garantir o direito à formação continuada aos seus professores e tomaram todas as providências para que essas adversidades fossem superadas, disponibilizando laboratórios nas diretorias e secretarias de ensino ou mesmo em escolas com laboratórios garantindo, assim, o acesso de todos os professores aos recursos necessários para participarem do curso. Nesse processo a figura do tutor presencial foi fundamental para o acompanhamento e orientação presencialmente dos cursistas.
Em muitos países ou mesmo para muitos pesquisadores no Brasil, talvez seja inconcebível a idéias de que professores que não sabem operar o computador possam participar de cursos a distância. A experiência da primeira autora, em pesquisas anteriores bem como no presente curso, evidencia que é possível oferecer àqueles com a “falta” de conhecimento específico sobre informática uma ‘pré-formação’ sobre os recursos e possibilidade pedagógicas das TIC para que os mesmos tenham condições de participar desse tipo de propostas formativas, por meio da EAD, garantindo a oportunidade a todos de investirem em seu desenvolvimento profissional.
Acredita-se que mais do que nossas vozes - de pesquisadores das universidades - ecoando os resultados de iniciativas como esta, que acabam tendo como fim também a pesquisa científica, é importante que sejam ouvidas e valorizadas as vozes dos professores cursistas que estão no contexto escolar vivenciando o cotidiano e as relações de inclusão/exclusão e diversidade para que tais iniciativas de parceria entre universidade-escola sejam avaliadas e tenham o investimento público devidamente aplicado para que a educação em nosso país deixe de ser representada apenas pelos índices de qualidade que são cada vez mais altos, porém, com resultados práticos ainda muito precários. Além, da importância de se ter um feedback in locu sobre as necessidades locais do contexto escolar tendo assim um panorama para aplicação dos recursos financeiros que beneficiem as unidades escolares e seu entorno favorecendo, dentre outros, o processo de inclusão.
Finaliza-se o texto com o relato de uma das professoras das turmas do interior do estado de São Paulo que, apesar das dificuldades, nos faz acreditar que estamos no caminho certo e que é possível fazer por meio da EAD processos formativos de qualidade com impactos práticos positivos na realidade escolar em nosso país.
Com já era de se esperar de um curso que a cada módulo oferecia desafios cada vez mais interessantes, as aprendizagens superaram as TAs [tecnologias assistivas] e OAs [objetos de aprendizagem] apresentados. Digo isso não por não ter sido interessante o conhecimento que tivemos em relação aos OAs, principalmente no que diz respeito a apresentação do material de apoio e do CD que recebemos, mas, a superação diz respeito às reflexões e expectativas estimuladas. Além disso, a ampliação de olhar quanto as possibilidades que podem ser oferecidas aos nossos alunos PDs ou não. Como Coordenadora Pedagógica achei fantástica a experiência dos mecanismos do curso, do estudo de caso, do empenho de todos os participantes e dos resultados que já podem ser notados na mudança do foco do olhar de cada um dos participantes. (...) acho importante [ainda] focar alguns aspectos essenciais:
1. Conhecer os OAs foi muito importante para ampliar o olhar quanto ao uso das TICs no ambiente educacional;
2. A participação de um número significativo de professores da rede nesse curso foi essencial para o momento que estamos vivendo, o uso das TICs é uma necessidade e não mais um luxo;
3. Em relação aos alunos, que são o fim de todo esse processo, esses podem se beneficiar em muito das aprendizagens que adquirimos nesse curso, pois podemos nos posicionar melhor em relação há melhores formas de intervenção pedagógica, principalmente em relação aos PDs e/ou Dificuldades de Aprendizagem;
Finalmente como Coordenadora Pedagógica gostaria de destacar que a prática pedagógica como um todo pode a partir das apropriações realizadas ser resignificada e aprimorada, pois com OAs mais atrativos estamos um passo a frente no desenvolvimento de um processo de ensino-aprendizagem significativo. Destaco ainda o desafio de contagiarmos ainda mais professores com aprendizagens como essa e os benefícios conseguidos (Profa. A.A.S.H., 07/09/2008).

Referências
BRASIL. Ministério da Ciência e Tecnologia. Chamada Pública Tecnologias: Ação Transversal – Tecnologias Assistivas – 09/2005. Rio de Janeiro: FINEP, 2005. Disponível em: Acesso em 20 de jun. 2008.
______. Decreto n. 5.296 de 2 de dezembro de 2004. Brasília, 2004. Disponível em . Acesso em 20 de jun. 2008.
ISO 9999, NORMA INTERNACIONAL, de 1998. Disponível em , Acesso em 20 de jun. 2008.
Núcleo de Educação Corporativa (NEC). Apostila: ambiente virtual de aprendizagem. 27f. Material didático do Curso de Tecnologias Assistivas: projetos e acessibilidade promovendo a inclusão de deficientes. Presidente Prudente: FCT/UNESP, 2008. CD-ROM.
 
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