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10/08/2009
Quero dar um curso e agora, como planejar?
FUJITA, O.M.
 
Palavras-chave: Educação a Distância, Planejamento em EaD, Avaliação em EaD


1. Introdução
As maiores distâncias que devemos percorrer estão dentro de nós mesmos.
Charles de Gaulle



A Educação a Distância tem revelado e demonstrado dia a dia que possui inúmeras vantagens em relação às metodologias tradicionais já conhecidas pela maioria dos educadores. No entanto, os curso de Educação a Distância (EaD) tem esbarrado em alguns aspectos que comprometem substancialmente a qualidade desses cursos. Os principais personagens envolvidos no processo (coordenadores, professores, tutores e suporte técnico) não estão dando a devida importância a esses aspectos que, na sua maioria, são de profissionais que apenas tiveram contato com o ensino presencial, e então, acreditam que, nessa “nova” modalidade de ensino, o correto seria simplesmente transpor o presencial para o virtual. Ledo engano, pois sendo assim, estariam apenas virtualizando o presencial.
A EaD apresenta características diferenciadas do ensino presencial, como:
• separação física entre professor e aluno;
• flexibilidade do processo: permite que o aluno escolha o local de estudo (onde?), tempo/horário (quando?) e o ritmo, definindo assim o melhor caminho para sua aprendizagem;
• desenvolve uma metodologia centrada no trabalho colaborativo, na qual os membros do curso analisam sob diferentes prismas os problemas propostos, produzem significados diferentes ou não e propõem soluções através de uma compreensão partilhada e compartilhada;
• exige do aluno uma maior responsabilidade e disciplina;
• incita o aluno a todo momento, a adquirir a sua autonomia intelectual na resolução de problemas e na busca de informação.
Diante de todas essas características, o planejamento de cursos a distância também deve ser diferente. Nossas próximas linhas serão dedicadas a desmistificar alguns quesitos que estão ligados diretamente ao sucesso ou ao fracasso desses cursos.


2. O perfil do público alvo do curso
Considero a definição do publico o ponto de partida na etapa de planejamento dos cursos a distância. O coordenador do curso, com a experiência que possui na área, terá facilidades na definição desse público, pois geralmente conhece o perfil dos profissionais interessados na temática. Vale salientar que o público alvo não é definido apenas pelo interesse desse mesmo público no assunto ou por aquele que tenha condições de pagar o valor fixado. Existem outros itens, que serão vistos abaixo, que influenciam fortemente o público na decisão de escolher ou não o curso. No entanto, caso o coordenador não tenha conhecimento do perfil desse publico, recomendamos a contratação de uma empresa especializada ou um consultor com experiência na temática para traçar o perfil, levando sempre em consideração os objetivos – gerais e específicos – já definidos anteriormente.
Alguns itens merecem atenção destacada:
a) a quem se destina o curso: delimita os profissionais que irão fazer o curso. Exemplo: profissionais do setor educacional (diretores, coordenadores e professores) e de empresas públicas ou privadas (departamento de recursos humanos, gestão de pessoas, treinamento entre outras), interessados em obter conhecimentos sobre o planejamento de cursos a distância;
b) pré-requisito: define os requisito de hardware e as habilidades operacionais, isto é, as habilidades prévias que o futuro aluno deve ter. Exemplo: conhecimentos básicos de informática (editor de textos, apresentação, internet e e-mail), acesso à internet e possuir um endereço eletrônico (e-mail);
c) escolaridade: esse item torna-se importante, na medida em que fazemos relação com a disponibilização de materiais didáticos. Se os participantes não tiverem hábitos de leituras, os textos e artigos não surtirão efeitos. Portanto, devem-se mudar as estratégias didáticas. Dependendo da escolaridade, podemos disponibilizar inclusive artigos ou links em língua estrangeira: espanhol, inglês, francês, italiano entre outras;
d) faixa etária: de uma maneira geral a faixa etária tem forte influência nas características de aprendizagem. Pessoas mais jovens, com pouca experiência profissional ou em busca dela, têm motivações diferentes daqueles profissionais com idade mais avançada. Já os profissionais de meia idade, de uma maneira geral, buscam ascensão e aperfeiçoamento profissional. A faixa etária influencia inclusive na diagramação do material didático: tamanho de letra, quantidade de figuras e linguagem utilizada;
e) experiência profissional acumulada: as experiências adquiridas ao longo da vida e anteriores ao curso devem ser valorizadas. Em grande parte dos cursos a distância, temos verificado que uma marca comum em todos eles é a heterogeneidade. Achar que vamos ter alunos com o mesmo nível de conhecimento, é utopia. No entanto, essa heterogeneidade pode se tornar valiosa e, se for bem explorada, pode trazer enormes benefícios ao grupo. No entanto, se as estratégias didáticas não contemplarem os objetivos e o material disponibilizado (textos, gráficos, imagens, slides e vídeos) for muito trivial para o nível de conhecimento do aluno ele perderá totalmente o interesse pelo curso, podendo até abandoná-lo.

Outros itens que também devem ser analisados:
• Dentre os alunos participantes do curso, existe algum portador de necessidades especiais (PNE)?
• De que local fará uso da internet (de sua residência, do trabalho, da faculdade onde estuda ou dá aulas, de lan-houses ou cyber-cafés entre outras)?
• Esse local disponibiliza as mídias necessárias?
• Sua residência é próxima de um grande centro?
• O curso tem como objetivo principal suprir necessidade de âmbito pessoal, educacional ou corporativo?
Evidentemente que o conhecimento prévio do perfil do aluno não tem como finalidade provocar uma exclusão social ou digital, muito pelo contrário. Quer assegurar que o aluno participante tenha condições plenas de acompanhar o curso. A anuência de alunos que não contemplem os requisitos solicitados poderá trazer frustração ao aluno e também desgastes desnecessários aos formadores.


3. A abordagem pedagógica do curso
Ultrapassada a fase inicial de planejamento do curso (perfil do aluno), temos condições, agora, de partir para uma nova fase, tão importante ou até mais que a anterior: a abordagem pedagógica.
A abordagem pedagógica, como os outros itens do planejamento, jamais poderá ser analisada em separado.
A abordagem pedagógica que privilegia o conteúdo, chamada neste caso de abordagem conteúdista, tem como objetivo disponibilizar material didático com a finalidade de que o aluno faça uso desse material e por conseguinte adquira conhecimento. Quando optamos por esse tipo de abordagem, estamos cientes de que está em conformidade com os objetivos do curso e que de uma maneira indireta afetará o nível de interação que os alunos terão entre si e também com os seus formadores. Nesse tipo de abordagem, a tendência do curso é de que sua duração seja menor. Em contrapartida, o número de alunos tende a ser maior.
A abordagem pedagógica que privilegia a total interação entre os membros envolvidos no curso (aluno-aluno, aluno-formador, formador-aluno e aluno-suporte) – Interacionista Total, tem como objetivo principal o trabalho colaborativo. A disponibilização de material didático é considerada neste tipo de abordagem, um aspecto secundário ou um pequeno apoio para as discussões, trocas de idéias, de experiências e relatos de casos, e que, de uma maneira direta, tem afetado o desenvolvimento cognitivo do aluno.

As abordagens pedagógicas com mais conteúdo e menos interação ou mais interação e menos conteúdo, podem ser verificadas na Figura 1. Os devidos esclarecimentos estão dispostos na Tabela 1.


Figura 1 - Níveis de abordagem

Minhas experiências têm mostrado que a aprendizagem colaborativa e suas relações têm sido consideradas atualmente, um fator de grande diferencial em relação a outros tipos de aprendizagem. A intensa interação entre os alunos participantes de um curso e com seus formadores, num curso virtual, tem propiciado aos alunos uma educação com qualidade jamais vista em outros tipos de metodologias. Evidentemente que não cabe aqui uma comparação, mas podemos dizer que, talvez, haja uma qualidade igual ou superior numa aprendizagem colaborativa do que numa aprendizagem com a metodologia tradicional.

Tabela 1 – Descrição dos níveis de abordagem

3.1 Os procedimentos metodológicos
As estratégias didáticas que o professor utiliza durante o curso podem ser as mais diversas possíveis. É nesse momento que o professor do curso deve colocar em prática toda a sua habilidade de planejador e também de estrategista, visando a atingir os objetivos educacionais propostos. Outro aspecto relevante é utilizar toda a criatividade e imaginação para desenvolver atividades que estejam dentro do contexto e que possibilitem motivar o aluno a executar, a refletir, a interagir com outros alunos, buscar novos conhecimentos, despertando para diversas habilidades como: iniciativa, liderança, relacionamento interpessoal, trabalho em equipe, compromisso e responsabilidade no cumprimento de prazos, capacidade de assumir riscos e adaptação às mudanças. Essas habilidades são requisitos imprescindíveis para que o aluno consiga uma boa colocação no mundo do trabalho.

Evidentemente que, criar estratégias para despertar todas essas habilidades tornam a tarefa dos formadores ainda mais difícil, mas não impossível.

Exemplo 1: Suponhamos que a escolha pelo tipo de abordagem do curso tenha sido do tipo Conteudista Parcial. Esse tipo de abordagem disponibiliza para o aluno uma grande quantidade de conteúdo teórico, na intenção de que ele leia, compreenda e adquira conhecimento. A interação entre os alunos do curso e com os formadores nesse tipo de abordagem é pequena.
Dentro desse contexto, é importante termos conhecimento sobre o tempo de leitura que leva um aluno adulto para executar tal tarefa. Segundo Draves (2000,p.37), por estimativa, observou que:
• para um assunto altamente técnico, seriam lidas 10 páginas/hora;
• para um tema de não ficção, seriam lidas 20 páginas/hora; e
• para um de ficção, o tempo estimado seria de 40 páginas/hora.
Através do conhecimento de todos esses dados, adicionado a uma pequena dose de bom senso, o professor terá condições de criar atividades que contemplem o objetivo do curso e respeite o tempo e o ritmo de aprendizagem de seus alunos.

Exemplo 2: Um curso de aproximadamente quatro meses de duração, solicita que os alunos tenham uma disponibilidade de uma hora/dia para o curso. Portanto, são cinco horas semanais. Um curso com carga horária total de 80 horas. O tipo de abordagem será a Interacionista-Conteudista. Nesse contexto, não é recomendável que o professor crie as atividades por dia, pois toda a flexibilidade que a Educação a Distância propicia a seus alunos, será anulada. É recomendável que o professor trabalhe as atividades programadas por semana com datas pré-fixadas para postagem dessas atividades.
A quantidade de horas do curso aliada ao tipo de abordagem escolhida favorece a interação entre os alunos e também com seus formadores. Portanto, podemos criar estratégias que proponham atividades em grupos. Esse tipo de atividade demanda um tempo maior para que os alunos possam interagir, refletir e apresentar propostas devidamente fundamentadas, com as suas devidas análises criticas sobre o trabalho. Esse tipo de atividade, segundo Kenski (2005) é importante pois:
“interação e a cooperação entre os professores, aluno e demais participantes de um curso a distância visa não apenas instruir, treinar ou adquirir conhecimentos e habilidades. Essas atividades buscam ir além dos conteúdos previstos e desenvolver comportamentos de interação, sociabilidade e comprometimento social, essenciais para a formação de bons cidadãos”.

Exemplo 3: Um curso no qual os alunos participantes do curso e seus formadores têm constantes e intensas interações e a quantidade de conteúdo disponibilizado é mínima, possui características de uma abordagem do tipo Interacionista Total. Esse tipo de abordagem privilegia a aprendizagem colaborativa. Portanto, o indicado é que todos os personagens do curso sejam identificados. Para que isso aconteça, você pode promover uma atividade -- “quebra-gelo” -- que tenha como objetivo a apresentação pessoal de cada aluno, com a possibilidade de colocar uma pequena foto. Recomenda-se disponibilizar um pequeno roteiro para que os alunos sigam. Após a apresentação, promova um pequeno chat para que os alunos debatam suas afinidades e pontos em comuns. Você verificará que o resultado após essa atividade será muito positivo.

3.2 Os Direitos Autorais
Comumente esse assunto não é muito comentado pela população de um modo geral. Na área acadêmica, é comum ver alguns professores e alunos fotocopiarem livros, trabalhos, monografias entre outros, mesmo tendo conhecimento que isso é um ato ilícito. Intuo que antes de ser um princípio legal , deva ser considerado um princípio moral. Se você vê um objeto em cima de uma mesa e sabe que não lhe pertence, então por que pegá-lo? Se partirmos do princípio de que, se for meu, eu uso, se não for, não uso ou peço permissão ao dono do objeto para que possa utilizá-lo, relatando como, onde, quando e por quanto tempo vou utilizá-lo. Se o autor exigir pagamento para tal, pague. Se não quiser pagar, não pague e não utilize mesmo.
O tema “Direito Autoral”, vem se tornando ultimamente assunto de várias pesquisas na área do direito e também da educação, pois os pesquisadores sentem-se incomodados com a postagem indiscriminada e ilegal de entrevistas, textos, artigo, vídeo-clips entre outros na internet, inclusive nos curso de Educação a Distância, sem o consentimento prévio do autor.
A utilização principalmente de artigos acadêmicos como texto-base, material de apoio para fomentar uma determinada discussão ou para reflexões, tem sido uma estratégia didática utilizada em grande parte dos cursos on line. Recomendamos cuidado especial, quanto à postagem desse tipo de material. Antes de cometer um ato ilícito, consulte o seu autor ou órgão responsável pelo material. Muitos autores e editoras não têm se incomodado e têm autorizado a cópia/postagem de capítulos e até de livros gratuitamente. No entanto, alguns cobram centavos por página ou até mesmo o valor de um exemplar por ano de postagem. Diante desse fato, recomendamos que no planejamento financeiro do curso, sejam incluídos esses pequenos valores que, antes de ser um direito legal, é um valor moral que deve ser respeitado.


4. Os recursos midiáticos
Os recursos estão vinculados ao planejamento de gestão de mídias que a instituição possui. Equipamentos, periféricos, mobiliários, materiais entre outros compõem os recursos a serem utilizados. A maneira como computadores, impressoras, videocassetes, DVDs, CD-Rom, projetores multimídia, internet, videoconferência, teleconferência e softwares (com a possibilidade de união de textos, vídeos, sons, desenhos, fotos e animação) têm forte influência na interação dos personagens envolvidos. No entanto, cada um desses recursos acarreta encaminhamentos e procedimentos diferentes, dependendo da forma e da estratégia metodológica utilizada. Para potencializar ainda mais essa interação, a tecnologia atual já nos permite utilizar vários recursos em real time, isto é, em tempo real, como por exemplo: chats, apresentação de slides de um determinado assunto com vários links de acesso, imagem e áudio do professor e imagem do aluno, tudo isso numa mesma tela (webconferência). Todos esses recursos oportunizam o aluno a concretizar suas idéias, elucidar conceitos e a desenvolver sua percepção, proporcionando-lhe novas ações. Evidentemente, que a relação de recursos acima descrita, não significa que sem eles o curso a distância não terá êxito. Alguns pesquisadores optam pela simplicidade e afirmam que em Educação a Distância “o menos é mais”, pensando nos custos elevados de aquisição dessas mídias e também na sua utilização (profissionais especializados). Outro aspecto que esses mesmos pesquisadores destacam é a dificuldade de acesso que alguns alunos terão a essas mídias. Entretanto, o uso dessas mídias já foi devidamente analisado no planejamento do curso, no item de pré-requisitos de hardware e habilidades operacionais.


5. Os instrumentos de avaliação
Um dos grandes entraves da Educação tem sido o sistema de avaliação utilizado nos cursos presenciais. Na metodologia tradicional, o “erro” é considerado uma falta grave ou até considerado falta de conhecimento. Segundo Micotti (1999), na verdade, “os erros deixam de indicar fracassos dos alunos e passam a constituir fontes de informação para o professor [...]”. Através de inúmeras tentativas e erros, o aluno vai descobrindo seus próprios caminhos, criando suas próprias estratégias de aprendizagem e soluções sobre um determinado problema. Portanto, o “erro” deve ser considerado parte integrante da aprendizagem.
A EaD, diferentemente do ensino presencial tradicional tem a sua ênfase – na maioria dos casos – voltada para os aspectos qualitativos e não aos quantitativos. Para Azzi (2002), a avaliação deve ser:
“[...] contínua, cumulativa, abrangente, sistemática e flexível, de modo a permitir: (a) acompanhar o desempenho escolar de cada aluno, identificando aspectos que demandem atenção especial; (b) identificar e planejar formas de apoio aos alunos que apresentam dificuldades; (c) verificar se os objetivos específicos propostos estão sendo alcançados; (d) obter subsídios para a revisão dos materiais e do desenvolvimento do curso”. (grifo nosso)

A avaliação contínua a que Azzi se refere é o tipo de avaliação que deve ser realizada durante todo o processo, em cada atividade didática, a todo momento (avaliação formativa); cumulativa não no sentido de acumular resultado, mas no sentido de que o conhecimento não pode ser avaliado de maneira fragmentada, isto é, que o conteúdo dado no 1º bimestre, por exemplo, não possa ser avaliado novamente no 2º pois não possuem relação; abrangente no sentido de verificar se o aluno possui uma visão macro da problemática; e finalmente flexível, no sentido de poder ser avaliada a qualquer momento, em qualquer tempo (avaliação diagnóstica).
A utilização desses instrumentos de avaliação possibilita ao professor verificar o “status” de cada aluno nos diversos momentos do curso. Caso seu desempenho não esteja sendo satisfatório, o professor através de ações pontuais, poderá ajudá-lo a superar tais dificuldades. De forma contrária, ficaria apenas sabendo do desempenho e aproveitamento do aluno, no final de cada bimestre, semestre, ano ou do curso.
Através desse tipo de avaliação (diagnóstica e formativa), o aluno perceberá rapidamente que o objetivo principal não é testar, não é cobrar a memorização e a reprodução dos conteúdos como na metodologia tradicional, e sim, ajudá-lo a sanar suas dificuldades de aprendizagem (ritmo de aprendizagem, defasagem em algum tipo de conteúdo, trabalho em equipe entre outras), oportunizando-o a construir, reconstruir e adquirir novos conhecimentos.
O professor/formador pode utilizar ainda em EaD, as diversas ferramentas pertencentes à grande maioria dos AVAs , e utilizá-los como instrumentos de avaliação:
• postagem das atividades propostas;
• contribuições no mural;
• implementação do diário de bordo, wikis e portfólio;
• participação em atividades de interação:
• trabalhos em equipe;
• fórum de discussão;
• e-mails e chats;
• produção e implementação de um pequeno projeto de EaD, e
• auto-avaliação.
Dentro desse contexto, dou um exemplo para mostrar como essas ferramentas podem auxiliar na avaliação em ambientes de EaD privilegiando a avaliação diagnóstica e formativa:
a) postagem de atividades propostas e trabalho colaborativo (e-mails e chats), poderiam ter 20% (vinte por cento) dos valores das notas atribuídas (0 a 10);
b) contribuições em mural e fórum de discussão poderiam ter 20% (vinte por cento) dos valores das notas atribuídas (0 a 10);
c) a elaboração e a implementação de um projeto de EaD, desenvolvidas em grupos, poderiam ter 40% (quarenta por cento) dos valores das notas atribuídas (0 a 10);
d) a auto-avaliação poderia ter 20% (vinte por cento) dos valores das notas atribuídas (0 a 10).

Evidentemente que os parâmetros acima devem ser considerados meras sugestões que, dependendo do objetivo do curso, das estratégias didáticas utilizadas e do nível de interação intencionalmente provocado, é recomendável que os itens de avaliação sejam adaptados a sua realidade, assim como seus respectivos percentuais.

6. Considerações Finais
Existe ainda um longo caminho a percorrer e diversos paradigmas a quebrar quando falamos em Educação no Brasil e ainda mais quando nos reportamos à Educação a Distância. Um dos grandes paradigmas, comentado principalmente entre os leigos, é de que a distância física compromete a aprendizagem e conseqüentemente a qualidade dos cursos. Na verdade, na maioria das vezes, esse preconceito é proveniente de uma enorme falta de conhecimento sobre os aspectos que envolvem essa “nova” modalidade de ensino e de como realmente “funcionam” os cursos a distância.
Outro aspecto inevitável é a comparação que se faz entre o Ensino Presencial e Educação a Distância. Não cabe aqui, nenhuma comparação, pois são modalidades diferentes de ensino, mas como a grande maioria da população, dos alunos, dos professores e de outros profissionais, tiveram contato apenas com o ensino presencial, então, é perdoável a comparação. A Educação a Distância não vem concorrer com a educação presencial, muito pelo contrário. Sabemos que a Educação nunca foi totalmente presencial, pois no ensino presencial, temos tarefas e trabalhos que são realizados fora do ambiente escolar -- em casa. Esse aspecto comprova verdadeiramente que já havia educação a distância no ensino presencial. Na educação a distância, também não é diferente. Podemos ter alguns momentos presenciais em cursos a distância (cursos híbridos), embora uma minoria de educadores discorde da minha opinião, dizendo que a Educação a Distância deve ser a distância e que, não é necessário o contato físico. Respeito e argumento que, o contato pessoal, o “olho no olho” é imprescindível para o ser humano. O ser humano necessita desse contato; por natureza, ele é um ser sociável.
A Educação a Distância já é uma realidade. Tem rompido com barreiras geográficas, temporais, sociais, culturais, raciais e religiosas, democratizando e dando oportunidade à população a um maior acesso à informação e ao conhecimento, proporcionando assim, uma formação com qualidade, criando maiores oportunidades de trabalho para as pessoas e um aprendizado ao longo da vida.


Referências:
Azzi, S. “Avaliação de desempenho do aluno na ead”. Disponível em http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2002/ead/eadtxt5a.htm. Acesso em 24/04/07.

Draves, W. Teaching Online. LERN Books, River Fall, 2000. p.37.

Micotti, M.C.O. “Pesquisa em Educação Matemática: concepção & perspectivas”. In: M. A.
V. Bicudo (org.). O Ensino e as propostas pedagógicas. São Paulo: Unesp, 1999, p.153-167.

Kenski, V.M. “Gestão e uso das Mídias em Projeto de Educação a Distância”. Revista E-Curriculum, São Paulo, v.1, n.1, dez. – jul. 2005-2006. Disponível em http://pucsp.br/ecurriculum. Acesso em 22/03/2007.

Sobre o autor:
Oscar Massaru Fujita é doutorando em Educação pela USP com pesquisas voltadas para a Educação a Distância. Tem Mestrado em Educação pela UNESP na linha de Formação de Professores; Pós-Graduação em Consultoria Empresarial; Especialização em Novas Tecnologias pelo Distrito de Saitama-Ken, Tóquio, Japão. Professor de graduação das Faculdades Integradas Antonio Eufrásio de Toledo e de diversas entidades de Pós-Graduação. Atua como consultor educacional na área de projetos em EaD para empresas corporativas e instituições de ensino.


Citação:
Fujita, O.M. Quero dar um curso, e agora...? Como planejar? VIII Encontro Internacional Virtual Educa Brasil 2007, 2007.
 
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